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“Saúde mental, estresse e trabalho – parte 1” – por Carolina Sofia

Carol Sofia (Foto: Divulgação)
Carol Sofia (Foto: Divulgação)

Dados de 2017, com base em 2016, a organização mundial da saúde indicam que o Brasil é o país do mundo que mais tem problemas com pessoas com depressão, ansiedade e estresse. Estes dados também se refletem nos ambientes de trabalho, já que a 2ª maior causa de afastamentos no país é exatamente por doenças mentais. Além de ser uma grande causa de afastamento, estes normalmente acabam ocorrendo por um período mais prolongado, em função da doença mental não ser apenas um problema físico usual que pode ser restabelecido como uma fratura ou uma contusão, por exemplo. Esse problema é bem grave, pois as pessoas que sofrem problemas em sua saúde mental tem sua vida alterada, assim como suas funções laborativas.

As empresas também sofrem com isso. Cada trabalhador afastado implica diretamente um aumento na incidência de impostos pagos pela empresa ao governo. Quanto mais pessoas afastadas, mais a empresa pagará em percentual de impostos. Além da dificuldade do empregado estar totalmente presente no seu trabalho, concentrado e produzindo bem, ele pode ter faltas excessivas, ausências esporádicas e baixo rendimento.

Para a pessoa que enfrenta a dificuldade pode ser ainda pior. Perceber que você não está indo tão bem no seu trabalho como você gostaria aumenta o sofrimento.  Ao mesmo tempo que o afastamento também pode aumentar o sofrimento, pois se passa mais tempo com a mente livre e podendo ser tomada por pensamentos auto destrutivos. Por vezes conversar com colegas e estar engajado pode trazer benefícios para o trabalhador e necessariamente deve haver algum acompanhamento e tratamento do fator gerador do problema.

Normalmente quando o problema de saúde está diretamente relacionado ao trabalho, ele se liga ao estresse. É ele hoje uma das maiores dificuldades que empregados podem enfrentar em termos de saúde no trabalho, pois longos anos de submissão a metas extremas, problemas de relacionamento com colegas, dificuldades com prazos, falta de tempo para si, autocuidado, atenção, baixa motivação, cobranças, dívidas, etc…. Podem trazer riscos extremos a saúde que não só a mental, mas inclusive com risco de morte.

É fundamental para pessoa identificar quando está em uma situação semelhante à esta e também a empresa reconhecer isto em seus colaboradores, pois apenas uma mudança de postura no que está acontecendo e no contexto pode reverter o quadro. Estarei trazendo o entendimento de como funciona o estresse e as formas de manejá-lo para poder reverter o quadro no nosso próximo artigo em 2 semanas.  Procure se avaliar em seu trabalho no seu dia-a-dia e entender as dinâmicas que você integra.

Carol Sofia é Psicóloga e Especialista em Gestão e Docência de Ensino Superior.