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“Saúde mental, estresse e trabalho – parte 2” – por Carolina Sofia

Carol Sofia
Carolina Sofia (Foto: Divulgação)

No último artigo estivemos contemplando alguns problemas de afastamento em empresas no Brasil e entendendo como as doenças mentais são a maior ocorrência no nosso país comparado com o mundo. Dentre as principais causas de doenças mentais está o estresse.

O estresse na verdade é uma reação completamente natural do nosso corpo. Quando detectamos de forma inconsciente a presença de alguma ameaça iminente ou perigo o nosso corpo ativa seu sistema de fuga ou ação; no caso o estresse sendo a ação e fuga.

Nosso cérebro envia ao nosso corpo sinais através da liberação hormonal. Nossa visão fica aguçada, nosso coração pulsa mais rápido, nossas artérias se contraem para fornecer mais sangue para corrente sanguínea e podermos ser mais velozes, nossos locais de armazenamento de gordura liberam essa energia armazenada para termos mais força, nosso sistema imunológico, digestivo, reprodutor e outros mais param, pois não são mais necessários na ação ou fuga.

Se olharmos um animal em fuga de um predador podemos entender a grande importância na função do estresse em seu organismo, pois o que descrevemos acima pode garantir sua sobrevivência. Ou em nós podemos nos imaginar num parque de diversões e andando na montanha russa, ou algum brinquedo radical. A sensação que o organismo tem é de um estresse controlado frente ao perigo, pois depois que você sai do brinquedo seu corpo volta ao normal.

Mas o que acontece se vivemos sob estresse constante? Será que é algo útil como para os animais em fuga? A resposta é não. Com o tempo seu organismo passa a entupir as veias de sangue causando derrames, acidentes vasculares e cardiovasculares, pressão alta, acúmulo de gordura corporal para ter mais energia, baixa no sistema imunológico que não para por completo, mas deixa de ser essencial, insônia pelo estado de vigília e outras doenças mais recorrentes. Além disso há liberação de alguns hormônios que atacam os cromossomos no DNA responsáveis pela regeneração celular, podendo o estresse crônico envelhecer 6 anos uma pessoa a cada 1 ano que passa.

Entendemos agora o funcionamento desse grande vilão se for causador de estresse crônico para um indivíduo em sua vida saudável. Porém há uma outra forma de se trabalhar com o estresse que pode mudar seu funcionamento no organismo. Existem muitos estudos nessa área e traremos alguns exemplos de manejo no próximo artigo daqui 2 semanas na parte 3 sobre este.

Boa semana!

Carol Sofia é Psicóloga e Especialista em Gestão e Docência de Ensino Superior.