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Saúde mental, estresse e trabalho – parte 3

Carol Sofia (Foto: Divulgação)
Carol Sofia (Foto: Divulgação)

Nos dois últimos artigos estivemos contemplando alguns problemas de afastamento relacionados a doenças mentais em nosso país. Dentre as principais causas de doenças mentais está o estresse, o qual entendemos seu funcionamento quando é ativado no organismo e mantido ativo, causando uma série de alterações como aumento de pressão, problemas cardiovasculares, envelhecimento, aumento de peso. Estes problemas são todos decorrentes de pessoas que sofrem manutenção do estresse diariamente ou estão em fase de estresse crônico.

Por muito anos psicólogos alertaram seus pacientes destas inúmeras causas terríveis que seus organismos estariam sofrendo quando a pessoa se mantém sob estresse constante. Porém essas causas só existem se você ver o estresse desta forma maléfica. Isto é comprovado cientificamente. Se encararmos os hormônios liberados pelo estresse que nos afetam de forma negativa, observando sobre forma positiva o estresse se transforma em coragem. A dilatação dos vasos sanguíneos nos deixa mais ativos e com mais proatividade e não se entopem, temos energia suficiente para agir e entendemos que todo nosso organismo na verdade está nos ajudando a estarmos prontos para sermos melhores e não para sofrer a pressão.

Em um experimento feito na universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, com dois grupos comprovou este efeito. Um grupo foi orientado sobre os malefícios do estresse e outro sobre os benefícios e ambos foram submetidos a um teste. O grupo dos benefícios, saiu-se muito bem nos exames, seus corpos atingiram níveis de pressão bons e conseguiram voltar ao normal após o teste bem tranquilamente. O grupo dos malefícios teve pressão alta, palpitação, dores, foram mal nos testes ou empacaram e permaneceram na situação de pressão por um bom tempo considerável, mesmo com o fim dos testes, inclusive com o cérebro apresentando atividade mais lenta.

E há mais um dado bem importante sobre o estresse que poucos sabem. Dentre todos os hormônios que liberamos quando estamos estressados existe um especial chamado de ocitocina. Este é responsável pela nossa sociabilização, ele garante que quando estamos em uma situação difícil vamos falar para outras pessoas que estamos passando por isso para obter ajuda. Estudos sobre este hormônio e a sua relação com o estresse demonstram que pessoas que se envolvem em círculos sociais, grupos, amigos, comunidade, voluntariado…. tem taxas de resiliência e enfrentamento muito maiores do que pessoas que se isolam. Isto porque os nossos grupos nos ajudam a nos sentirmos muito melhor e mais felizes com nossas vidas do que se estivermos isolados, principalmente em anos mais avançados. As vezes posso ser uma pessoa que sofre no trabalho, mas se fora dele posso ser um ótimo jogador de futebol do meu time de amigos, por exemplo, esta atividade compensa a dificuldade que enfrento dentro do meu local de trabalho e passo a viver de forma melhor.

Boa semana!

Carol Sofia é Psicóloga e Especialista em Gestão e Docência de Ensino Superior.