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“Também é a economia, estúpido” este é o artigo do cientista político Fredi Camargo

Cientista Político Fredi Camargo (Foto: Divulgação)
Cientista Político Fredi Camargo (Foto: Divulgação)

As ruas falam, e quando o fazem mandam recados diretos e claros. Como vimos no último domingo, muitos brasileiros mais uma vez foram em busca das cabeças de seus personagens da vez na tentativa da moralização política nacional. O povo mostrou que a briga não é só contra um ou outro partido, como tentavam alguns cegos ideológicos dar a entender. No entanto, além da população brasileira procurar punir os culpados pela situação caótica que vivemos no âmbito político, também se movimentou por outro fator. Talvez o mais primordial na história de todos os movimentos políticos brasileiros em sua história, a economia.

Lembrarei de uma frase que Bill Clinton utilizou para sua eleição em 1992: “É a economia, estúpido!”. Não somos o único povo a “pensar com o bolso”. Todas as pessoas, de todas as nações, são sensíveis ao que lhes pode extrair a possibilidade de sobrevivência ou de conforto adquirido, o dinheiro.

Em 2013, o povo se rebelou pois já estava sentindo o resfriamento econômico. Já naquele ano, obviamente com a colaboração de vários casos de ações inescrupulosas de nossa classe política, o povo atrelou suas dificuldades que começavam a aparecer à corrupção e daquele instante em diante as manifestações sempre encontraram eco nas situações que foram se agravando em nossa economia.

Uma “trégua” foi dada logo em seguida, em 2014, pois tivemos eleições e sabemos que em ano de eleição tudo parece funcionar como no primeiro mundo. Passadas as eleições, já no começo de 2015, fomos brindados com a realidade jogada na cara do povo de forma nua e crua. Até então escondida por causa do pleito, a situação da economia, em estado degradante, foi jogada na cara do brasileiro. As dificuldades de manutenção dos programas sociais, as reduções nos investimentos públicos, os números de recessão econômica geral na indústria e comércio, o aumento da dívida pública, a crise política e institucional mais uma vez fez com que a população pagasse o pato da eleição de uma forma amarga.

Aliado a isso tudo, uma operação Lava-jato com cada vez mais lama sendo jogada no ventilador, mostra dia após dia todos os movimentos espúrios de seus atores políticos que estão envolvidos até o pescoço em problemas. Com isso, não restou alternativa. A população voltou às ruas, agora na busca de um pescoço, o da presidente que não conseguia sequer se fazer entender. Seus asseclas lhes virando as costas e o país dividido ainda por causa das eleições, foram fatores que contribuíram para sua queda.

Então, em meados de 2016 parecia que um sopro de esperança estava dado com a posse de Temer, confundido, como sempre faz o brasileiro, com o salvador da pátria. Ledo engano, já na montagem de seu governo, pudemos perceber que poderíamos ter uma postura um pouco mais técnica nos discursos mas que no fundo só receberíamos o mais do mesmo. Um time político, com indicações duvidosas em termos de situação, caráter e história, com peças comprometidas moralmente e com diversas desconfianças só nos indicou que estaríamos protelando a desgraça social em que estamos.

A Lava-jato, como previsto, continuou a corroer o governo atual como corroeu o anterior. Os senhores do Congresso, aquele mesmo que o presidente tentou ganhar apoio com barganha de cargos no Executivo, por sua vez, provocaram mais constrangimentos públicos com suas manobras espúrias nas madrugadas. Mais uma vez a classe política “pediu” ao povo que ele deveria novamente tomar as ruas e protestar. No fim, estamos com nossa economia ainda deficitária, sem vislumbrar qualquer recuperação, por causa da classe que teima em fazer do país sua fonte de enriquecimento pessoal. Estamos agora afundando mais ainda na crise política que se transformou em crise institucional, com o movimento do Senado de não respeitar a decisão monocrática do STF e com a população aumentando seu descrédito em relação aos seus representantes.

No entanto, temos que no fundo agradecer por essa situação financeira. Pois se não fosse a economia ruim e a recessão que estamos sofrendo, pode até ser que, como em outras ocasiões e situações onde o povo estava adormecido e embevecido pelo poder aquisitivo pujante, estivéssemos ainda sendo roubados e achando normal.

Boa semana!
Fredi Camargo – Cientista Político
Contato: cc.consultoria33@gmail.com