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Uma alternativa indispensável para produção de leite na atualidade – por Higor Barcelos

 

Higor Barcelos (Foto: Divulgação)

O atual cenário crítico da bovinocultura leite, faz com que os produtores sejam mais rigorosos na oferta de alimento para reduzir custos, por ser o insumo mais caro da atividade. Para que isso aconteça, a melhor alternativa é o sistema produção de leite a pasto.

Nesse sistema, uma das questões mais frequentes se refere ao nível de consumo de forragem de qualidade, o que determina o desempenho animal e a produção de leite.

Há estudos sobre o método de pastoreio rotativo de pastagem, com foco no momento de entrada dos animais e a altura mais adequada do resíduo a planta. Mas recentes experimentos partem do ponto de vista do animal, focando agora o momento ideal da retirada dos animais do piquete, como forma de assegurar maior consumo de forragem.

Um erro comum quando se adota o pastoreio rotativo, é de querer aproveitar todo o pasto. Isso limita o consumo dos animais na pastagem e acarreta menor produção animal individual, práticas muito comum e observada no pastoreio rotativo. Esse tipo de manejo é contra o processo natural de pastejo dos animais, que são os que decidem a saída do piquete.

Para se determinar o nível de consumo de forragem por dia, é necessário considerar três pontos fundamentais: o tempo que o animal leva para formar o bocado; quantidade de forragem colhida em cada bocado; e o número de vezes que faz isso. Somando isso, de forma cumulativa, chega-se ao nível de consumo de forragem por dia.

Mas qual aplicação disso em pastoreio rotativo? Qualquer que seja o ponto de altura do pasto, na entrada dos animais, a primeira desfolhação e feita aproximadamente 50% dessa altura. Ou seja, se os animais encontram uma pastagem de 50cm de altura (figura 1), na primeira fase de colheita rebaixa a uma altura de 25cm, se for 40cm, pastejam até 20cm. Isso é porque os animais têm padrão de pastejar á remoção constante da metade de altura de pasto, a cada desfolha.

No pastoreio rotativo, geralmente são pastejadas duas camadas. Os animais fazem a primeira desfolha, removendo as pontas das folhas, depois num segundo momento colhem novamente 50% da altura que sobrou, encontrando cada vez menos folhas. Sempre tomando cuidado, quanto mais baixo o pastejo, menor a qualidade nutricional do pasto.

Portanto, quanto mais intensificado for o pastejo, ou um período excessivo de tempo em cada piquete, menor quantidade de folhas, menor qualidade nutricional, consequentemente menos leite por área pasto.

Todavia, a produção de leite a pasto é a melhor alternativa para uma a baixo custo. Porém, deve-se ter cuidado quanto ao manejo para conseguir uma produção de pasto farta e de qualidade, para assim, obter uma produção sustentável e viavelmente rentável.

Referência:
Lajeado, RS – Ano 2. N°29,20 de agosto de 2013. 4 p.

Téc. Agr. Higor Barcelos – Emater Encantado