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Vanessa Daltoé fala sobre “O pequeno fruto azul: o mirtilo” no artigo de hoje

Vanessa Daltoé (Foto: Diuvlgação)
Vanessa Daltoé (Foto: Diuvlgação)

O mirtilo (Vaccinium spp.) é um pequeno fruto de cor violácea-azulada e de sabor doce-ácido, nativo da América do Norte, onde é denominado blueberry (do inglês, pequena fruta azul). Os frutos são bagas de formato achatado, coroadas pelos lóbulos do cálice, com diâmetro médio de 1,0 a 1,8 cm e peso de aproximadamente de 1,1 a 1,8g.

No Brasil, ao contrário do que acontece no hemisfério norte (Estados Unidos, Canadá e alguns países da Europa), o cultivo e o consumo deste pequeno fruto ainda é recente e pouco disseminado. As primeiras mudas foram trazidas ao país na década de 80 pela Embrapa – Clima Temperado, da cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul e atualmente, o Estado concentra a maior produção brasileira da fruta ao passo que o Estado de São Paulo é o maior mercado consumidor de mirtilo do país.

Conhecido como uma fruta exótica e de alto valor comercial, o mirtilo tem conquistado novos consumidores em função do seu sabor único, gosto ácido, levemente doce e sua cor azul inconfundível. Os frutos são compostos por 83% a 87% de água sendo que a concentração presente nos tecidos depende, entre outros fatores, da disponibilidade hídrica durante o período da colheita. Os açúcares são principalmente frutose e glucose. Além disso, o mirtilo apresenta concentrações de vitaminas do complexo A, B, C e K, fibras e cinzas constituídas de sólidos insolúveis (casca, semente e minerais como potássio, cálcio, fósforo, ferro e selênio), além de ácidos orgânicos (quínico, málico e cítrico), pectinas e taninos. Os pequenos frutos apresentam ainda propriedades funcionais, sendo conhecidos também como a “fruta da longevidade” devido ao elevado teor de antocianinas (entre 300 a 725 mg por 100g de fruto) que são compostos fenólicos com poder antioxidante, relacionados à prevenção de doenças crônico-degenerativas.

A oxidação é caracterizada como um processo metabólico responsável pela produção da energia necessária para o desenvolvimento das atividades essenciais às células. Contudo, o metabolismo do oxigênio nas células vivas também leva à produção de radicais livres que têm um papel importante nas reações bioquímicas e fisiológicas do organismo humano.

A produção de radicais livres nos seres vivos é controlada naturalmente por diversos compostos denominados antioxidantes, os quais podem ter origem endógena (interna ao organismo) ou serem provenientes da dieta alimentar além de outras fontes. Os antioxidantes são substâncias que retardam a velocidade da oxidação, através de um ou mais mecanismos, estabilizando-os ou desativando-os. Quando há o desequilíbrio na disponibilidade dos antioxidantes no organismo, podem ocorrer lesões oxidativas de caráter cumulativo, com danos irreversíveis nas células. O estresse oxidativo tem sido associado ao desenvolvimento de diversas doenças crônicas não transmissíveis incluindo o câncer, doenças cardíacas e doenças degenerativas como Alzheimer, além de estar diretamente envolvido no processo de envelhecimento.

Diversos estudos clínicos e epidemiológicos constataram que o consumo de substâncias antioxidantes na dieta diária tende a produzir uma ação protetora e eficaz contra os processos de oxidação que acontecem naturalmente no organismo contribuindo para a redução significativa da incidência de doenças crônicas e degenerativas.

No mirtilo, a capacidade antioxidante é atribuída à presença de compostos flavonoides como as antocianidinas, proantocianidinas, flavonóis e flavanas. Os compostos fenólicos, ou polifenóis, são moléculas presentes naturalmente em alimentos de origem vegetal que exercem função de foto proteção, de defesa contra microrganismos e insetos, além de serem responsáveis pela pigmentação e por determinadas características organolépticas. Os ácidos fenólicos, por exemplo, contribuem para o sabor único dos frutos de mirtilo e de outros frutos de coloração vermelha, roxa ou azul. A presença destas substâncias bioativas nos frutos do mirtilo chama a atenção de consumidores que buscam melhorar a sua qualidade de vida através de uma alimentação mais saudável.

Além do consumo in natura, o mirtilo pode ser processado para produção de sucos, geleias, polpas, iogurtes e outros produtos. Estudos recentes evidenciaram que a partir da aplicação de técnicas adequadas de processamento é possível preservar nos produtos finais parte da concentração inicial das substâncias bioativas, encontrada nos frutos in natura.

Na região alta do Vale do Taquari há pomares de mirtilo e, temos no APL agroindústrias familiares que trabalham com o cultivo e o processamento da fruta para a produção de geleias e doces cremosos. Conheça você também essa pequena fruta.

Boa leitura e até o próximo artigo!

Vanessa C.B. Daltoé
Gestora | APL – AF Vale do Taquari