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Visão globalizada e contemporânea da suinocultura debatida em congresso na Espanha

Freitas, à direita, junto à comitiva brasileira na cidade de Zaragoza, na Espanha (Foto: Divulgação)

A Dália Alimentos foi a única participante gaúcha do World Pork Event 2018, congresso internacional promovido pela Topigs Norsvin, empresa de genética suína. Representou a cooperativa o presidente Executivo, Carlos Alberto de Figueiredo Freitas, que acompanhou uma comitiva de oito brasileiros presentes no evento que reuniu 250 pessoas de todo o mundo.

O congresso foi realizado em Madri, capital da Espanha, maior produtora de suínos da União Europeia, nos dias 2 e 3 de outubro. Na pauta, uma visão globalizada e contemporânea acerca da atividade suinícola. Conforme Freitas, previsões preocupantes sobre a suinocultura brasileira foram analisadas, a exemplo da continuidade do modelo econômico atual, que poderá prejudicar a produção animal, reduzindo a competitividade de modo que o Brasil poderá vir a ser, futuramente, abastecido por países europeus em termos de carnes e leite. Tudo isso, a custos inferiores aos praticados no Brasil. “O Brasil, que hoje exporta estes alimentos, poderá a vir ser um importador”, comenta.

Ele reflete o que foi abordado no evento e cita como principais empecilhos para a competitividade brasileira, em relação a outros países, a legislação trabalhista, que encarece o custo de produção; a relativização dos contratos jurídicos, que ora sim, ora não são avalizados, ocasionando a insegurança jurídica; a escassez de infraestrutura e de logística e a falta de políticas públicas de longo prazo adequadas para o setor. “Lamentavelmente o Brasil está vendo o avanço de outros países em relação à suinocultura, à bovinocultura leiteira e à avicultura e, caso isso persista, ficará atrás de outros países produtores. Hoje, o custo de produção do quilo de suíno é de R$ 3,10 na Espanha, de R$ 3,35 na Rússia e de R$ 3,50 no Brasil, este um dos mais caros”.

Embora as adversidades, Freitas ainda acredita que o país tem condições de se tornar uma grande potência no agronegócio. “Para que isso ocorra são necessários governantes honestos, qualificados e que queiram o progresso da nação”.

Quanto ao congresso, o presidente reconhece que adquirir conhecimento no exterior e compartilhar experiências auxilia a melhor compreender a realidade. “Embora as condições sejam desfavoráveis, necessitem de adaptações e transformações, é possível atenuar as dificuldades e fazer acontecer”.

O roteiro na Espanha também incluiu visita a uma planta frigorífica com capacidade para abater 11 mil animais/dia. Localizada na cidade de Zaragoza, o frigorífico é totalmente automatizado, com operações realizadas por robôs, demandando um número reduzido de funcionários. “Alta tecnologia está empregada. Podemos perceber que tanto o governo quanto o setor privado atuam em harmonia, gerando renda para todos os envolvidos no segmento”.

Granjas em Portugal

Antes do congresso, no dia 1º de outubro, em Portugal, o grupo conheceu uma granja na região do Ribatejo. Com alta tecnologia empregada, as instalações são construídas no formato de pré-moldado e totalmente automatizadas. “Visitamos uma granja com capacidade para quatro mil suínos na fase terminação, que necessitava de mão de obra de apenas um funcionário. Para quitar o empreendimento, são dois anos de carência, oito para pagar, com taxa de juro de 1% ao ano e 40% a fundo perdido; portanto, o produtor só pagará 60% da construção. Não há impostos para a indústria e para o produtor, somente para o produto, entre 8 a 10%, que é a carga tributária da União Europeia”, explica. Freitas observa, ainda, que não é autorizada a entrada, nem o contato com suínos vivos em granjas devido à incidência do vírus da Peste Suína Africana.

O grupo também se reuniu com criadores da Federação de Suinocultores de Portugal, ocasião em que foram debatidas tendências e apresentados dados sobre a suinocultura do país. De acordo com Freitas, os produtores são contrários à legislação europeia que se refere ao bem-estar animal, defendendo que são pautadas única e exclusivamente em questões políticas, por ambientalistas e ONGs.

Texto: Ascom Dália Alimentos