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Agroecologia e Produção Orgânica do Vale do Taquari é tema de Seminário em Encantado

Mirian Strate, mestre em Desenvolvimento Rural pela Ufrgs, ministrou encontro (Foto: Divulgação)

Um público de mais de 120 pessoas de diversos municípios esteve reunido na quarta-feira (17), no Salão Comunitário de Linha Palmas, em Encantado, para o 1º Seminário Territorial de Agroecologia e Produção Orgânica do Vale do Taquari. Tendo como tema central o “Papel da alimentação em nossas vidas”, o evento – parte das ações que celebram a Semana da Alimentação, que segue até hoje – contou com palestras, relatos de experiências, oficinas temáticas e troca de sementes e de mudas crioulas.

O objetivo do encontro foi o de estabelecer diálogo sobre a importância da alimentação na vida das pessoas, ressaltando ainda o impacto causado pelo modelo agrícola brasileiro na qualidade daquilo que se consome e de que forma isto impacta na saúde das pessoas. “Além disso, a atividade abordou as perspectivas para a produção orgânica do Vale do Taquari e quais os caminhos para o fortalecimento do modelo”, comenta a representante do Núcleo de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica do Vale do Taquari (NEA), Cândida Zanetti.

Palestrante do dia, a mestre em Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Mirian Strate apresentou o painel “Você sabe o que está comendo?” em que traçou um amplo papel sobre a alimentação e sobre como os processos de consumo têm sido redefinidos na modernidade – também pela maior oferta de produtos agroecológicos. “O que se constata é uma relocalização do sistema agroalimentar, com um aumento de consciência que não tem apenas a ver com saúde, mas também com outros ‘capitais’ como o social e o cultural”, afirma.

Nas oficinas, os participantes puderam conhecer mais sobre produção de morango orgânico em bancadas, técnicas para cultivo em hortas orgânicas, reconhecimento de Plantas Alimentícias Não-Convencionais (Pancs) – como ora-pro-nobis, capuchinha e dente de leão – e alternativas de inoculantes para gramíneas e leguminosas. Quem pretendia troca mudas ou sementes, encontrava no local variedades crioulas de milho, feijão, bucha vegetal, melão, melancia, hibisco, soja preta, castanha do pará, vagem, entre outras.

Para a agricultora Sílvia Toni, da localidade de Lajeadinho, o evento foi a oportunidade para ampliar os conhecimentos. Produtora de alface, agrião, rúcula, espinafre, couve e outros “verdes” há apenas dois anos, Sílvia, uma corretora de imóveis prestes a se aposentar, aposta na produção de cestas de produtos cultivados sem nenhum produto químico, que são entregues para consumidores na cidade. “A gente estabelece uma relação com os nossos compradores e percebe a alegria deles ao receber produtos e isto não tem preço”, avalia.

Organizado pelo NEA, Emater/RS-Ascar e Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), com o apoio da Articulação em Agroecologia do Vale do Taquari (AAVT) e programa Rio Grande Ecológico da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), o seminário contou com a participação de autoridades, como o supervisor da Emater/RS-Ascar, Cezar Burille e o secretário da Agricultura de Encantado, Joel Bottoni. Burille valorizou o empenho dos agricultores no resgate da agroecologia, como forma de combater um modelo de consumo de industrializados que traz danos irreversíveis à saúde das pessoas.

Carta de Encantado sugere proposições

Como parte do evento, as entidades reunidas também propuseram uma “carta de intenções”, com o objetivo de ampliar a reflexão a respeito do sistema alimentar hegemônico, diante da vulnerabilidade da segurança e da soberania alimentar global e localmente – ainda que haja a afirmação de boas propostas. No documento, a sugestão de políticas públicas de apoio e incentivo a produção agroecológica, da valorização daquelas que já existem e a criação de outros programas e investimentos, são descritos como forma de reafirmar o fortalecimento da agricultura de base agroecológica e diversificada.

“Somente dessa forma seremos capazes de dar passos rumo à construção de um projeto democrático e popular, com a prerrogativa de considerar o direito humano à alimentação saudável para todo o povo brasileiro”, pondera o assistente técnico regional em Manejo de Recursos Naturais da Emater/RS-Ascar, Marcos Schafer, que ainda reforça a importância da união entre o campo e a cidade no fortalecimento desta luta. O conteúdo completo da carta pode ser lido no documento em anexo.

Texto: Ascom Emater/RS-Ascar – Regional de Lajeado