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UTI Neonatal e Pediátrica completa 30 anos cheios de histórias

Setor recebe desde recém-nascidos até crianças de 13 anos e 29 dias. São dez leitos e diversos profissionais dedicados ao atendimento dos pequenos

Há 30 anos o Hospital Bruno Born (HBB), de Lajeado, inaugurava sua UTI Neonatal e Pediátrica. Desde então, milhares de recém-nascidos e crianças já foram atendidos no setor, reconhecido pelo carinho e pela dedicação dos profissionais que se dedicam a cuidar de pequenos tesouros.

Conforme a coordenadora, a enfermeira Giovana Johann Cortez, são atendidos na UTI Neonatal e Pediátrica pacientes recém nascidos até crianças com 13 anos e 29 dias. “O espaço é dividido entre a Neonatal – com seis leitos e que atende em sua maioria pacientes recém-nascidos prematuros -, e a Pediátrica, com quatro leitos e que atende crianças com diversas patologias, que necessitam de cuidados intensivos”, explica ela. O setor recebe pacientes SUS e Convênios.

“O trabalho é realizado com base padronizada em protocolos de atendimentos criados com o que há de mais atualizado na literatura médica e de saúde. Somos uma equipe multidisciplinar composta por profissionais como médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, nutricionistas, dentistas, fonoaudióloga, farmacêutica, psicólogas, terapeuta ocupacional, dentista, assistente social. Nosso trabalho diário é a integração de todas as áreas visando o atendimento completo para o paciente e sua família”, explica a profissional.

Giovana reforça que a equipe tem como valores essenciais o acolhimento e a humanização do atendimento: “Não é fácil ter um filho internado neste espaço. Então, procuramos sempre tentar deixar este período o mais leve possível para as famílias. Além dos cuidados de rotina, do dia a dia, em datas especiais como Páscoa, Natal e Dia das Mães, realizamos comemorações para receber melhor estes pais ou familiares”, conta.

Equipes

Ao ser inaugurada, a UTI Neonatal e Pediátrica contava com os médicos Sérgio Kniphoff, Lucildo Drebes e Margareth Beneduzi. O médico João Paulo Weiand iniciou sua atividade no setor em dezembro do mesmo ano de inauguração, e segue até hoje atendendo crianças e bebês ali internados.

Há um ano a UTI Neonatal e Pediátrica tem como médica responsável a doutora Simone Reichert, especializada em Pediatria e Neonatologia, e que atua no setor desde 2012.

“São diversos desafios que enfrentamos. Entre os principais está prezar pelo bom funcionamento técnico e oferecer o que há de mais avançado para o atendimento de crianças – que muitas vezes apresentam quadros graves – e, ao mesmo tempo, manter o máximo de humanização no atendimento. Buscamos sempre acolher as famílias para que sintam-se participando do tratamento dos seus filhos. É importante para nós contarmos com as famílias ao nosso lado”, avalia a médica. “Acredito que isso seja o que diferencia nossa UTI: é esse cuidado. A criança nunca vem sozinha: vem com a família e suas histórias. Olhamos para algo maior.”

Histórias de vida

A psicóloga Alicia Carissimi (33), natural de Progresso, foi a primeira paciente do setor, ainda com três aninhos. Hoje, é casada e mora em Porto Alegre – onde vive com o marido Alexandre Caputo e a cachorrinha Arya. Ela conta que sua mãe e sua avó lembram bem dos momentos difíceis vividos há três décadas. “Fiquei internada alguns dias na UTI Adulto e, no último dia, passei para a UTI Neo. As duas se emocionam até hoje ao contar a história. Foi uma Páscoa marcante por passarmos no hospital, mas sempre com muita fé que tudo fosse ficar bem. Eu tinha três anos e poucos meses, e meu irmão era recém-nascido.”

Alícia relata que precisou de atendimento após ter amigdalite e febre alta. “Fui medicada e, como não melhorava, fui encaminhada para Lajeado. Tive algumas complicações, e após 21 dias de internação, o problema foi revolvido” – tudo com muito esforço e dedicação das equipes do HBB, com um reforço extra: Nossa Senhora Auxiliadora, que atendeu às preces da avó de Alícia, e, em agradecimento, ganhou uma estátua: a santa é usada até hoje pela Paróquia de Progresso em procissões.

“Eu só tenho a agradecer por ter superado essa situação com o apoio dos meus pais, da minha família, da minha querida vó Diva, e com o atendimento humanizado de toda equipe do Hospital Bruno Born.”

Já a UTI Neonatal foi “inaugurada” por Rodrigo Lenz, irmão gêmeo de Daniel – que ficou em uma incubadora, mas não precisou ser internado na unidade. A mãe dos dois, Maria Teresinha Lenz (57), lembra bem do período.

“Eles nasceram com sete meses e meio. Achei que era só um bebê, e levei um susto quando vieram os dois”, admite a aposentada, hoje moradora de Linha Primavera, em Cruzeiro do Sul. “Os meninos ficaram vinte dias no hospital. O Rodrigo, que foi o segundo a nascer, estava com falta de ar e, por isso, acabou indo para a UTI. Foi graças a este espaço recém inaugurado, e ao acompanhamento da doutora Rosana Noten, que ele sobreviveu.”

Hoje aposentada, Maria Beatriz Rota foi a primeira enfermeira e coordenadora do setor. “O início foi um pouco difícil porque o trabalho exigia conhecimento e prática específica com crianças em cuidados intensivos, o que me levou a fazer estágio na Unidade de Tratamento Intensivo no Hospital da Criança Santo Antônio em Porto Alegre”, relata. A UTI abriu com oito leitos, tendo recursos disponíveis equiparados aos de UTIs Pediátricas de grandes centros. “Logo nos tornamos centro de atendimento de referência na nossa região. Foi um período de muita luta, empenho e aprendizagem, e conseguimos formar uma bela equipe, com profissionais dedicados e comprometidos.”

Ela lembra que na época tinha-se como prática manter os pais juntos dos filhos, acompanhando todos os passos do atendimento, para que pudessem inclusive aprender algumas ações. “Isso fortalecia o vínculo mãe-bebê, e ainda tranquilizava os pais. Nós explicávamos a rotina, como tudo funcionava, e com isto eles se sentiam acolhidos. Valorizávamos muito o diálogo.”

Bea, como é chamada, emociona-se ao lembrar do período: “Para mim era uma vitória ver as crianças melhorando; era um trabalho muito gratificante. Demonstrei aos pais o quanto é importante o toque no seu filho, conversar, cantar, rir: enfim, ficar ao lado dos bebês.”

A técnica de enfermagem Marinês Fischer (59) também é história viva do setor. Trabalha na UTI Neonatal e Pediátrica desde a inauguração – ingressou no HBB em julho de 1980. “Eu já gostava de cuidar das crianças quando precisavam ser internadas na UTI Adulto, e então me convidaram para integrar a equipe”, lembra. Moradora do Bairro São Cristóvão, em Lajeado, e mãe de um filho de 26 anos, diz gostar muito do que faz. “Me sinto realizada quando vejo que meu trabalho está sendo bem feito, e que os pais podem levar seus filhos para casa.” Para ela, também é motivo de alegria o fato de fazer o que gosta, em uma instituição que, para ela, é uma segunda casa. “Olhar o sorriso no rosto de muitos pequenos me realiza.”